Novo projecto do CIPEM em colaboração com o CIIE (Centro de Investigação e Intervenção Educativas) da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto

Está em curso o projecto: “Música e Drama no 1º ciclo do Ensino Básico – o caso da Região Autónoma da Madeira“. Uma investigação, apoiada pela FCT, que conta com uma parceria estabelecida entre o CIPEM e o CIIE ( Centro de Investigação e Intervenção Educativas) da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. 

Resumo do Projecto:

A presente investigação baseia-se num estudo de caso sobre o ensino das expressões musical e dramática no 1º ciclo do ensino básico, o qual tem lugar nas escolas da Região Autónoma da Madeira e onde, através do Gabinete Coordenador de Educação Artística (GCEA), é dada uma atenção especial à formação de professores nestas áreas.
Se bem que a educação artística no 1.º ciclo esteja regulamentada pelo Decreto – Lei n.º 344 de 1990, fazendo parte do currículo desse nível de ensino, na realidade nem sempre tem sido posta em prática nas escolas portuguesas.
As escolas do 1º ciclo do ensino básico da RAM são, neste aspecto, um caso particular, na medida em que desde 1980 as expressões musical e dramática têm vindo a ser implementadas naquele nível de ensino de forma consequente.
As recentes directrizes do Ministério da Educação em relação à forma como o ensino das expressões ocorre nas escolas do 1º ciclo do Ensino Básico no continente, ao trazerem esta questão de novo para o debate público, tornam esta investigação ainda mais pertinente e premente. Assim, o conhecimento aprofundado do projecto que decorre na RAM reveste-se da maior relevância no sentido de compreender, por um lado, como o ensino artístico pode ser implementado de forma consequente em todo o território nacional e, por outro, qual o seu contributo para a formação dos jovens e dos professores.
Nesta investigação utilizaremos a metodologia de estudo de caso. Para tal, recorrer-se-á a uma recolha de dados através de pesquisa bibliográfica e documental, da observação directa, de inquérito por entrevista semi-estruturada e por questionário. Os dados recolhidos serão sujeitos a análise de conteúdo qualitativa e quantitativa. Para tal, contamos com uma equipa de investigadores com formação científica e pedagógica nas áreas de ciências da educação, educação musical e expressão dramática.

1 Resposta to “Novo projecto do CIPEM em colaboração com o CIIE (Centro de Investigação e Intervenção Educativas) da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto”


  1. 1 Victor M. Costa Outubro 10, 2007 ás 5:18 pm

    É uma realidade que há muito o ensino artístico necessita de uma praxis renovada. Um estudo de caso comprovadamente valorativo em termos de resultados, com a finalidade da sua generalização é uma atitude pragmática e cientificamente eficiente, porém, a experiência suscita a ideia que não será suficiente uma abordagem limitada ao estudo curricular e às metodologias pedagógico|didácticas, uma vez que a legislação normativa vigente não é tão esvaziada de conteúdo como se possa pensar. Diria até que a prática sim, de um modo global, reflecte muito pouco o idealizado.
    É opinião minha que o trabalho maior passará pela formação adequada dos professores. Formação prática assertiva e conceptualização recheada de significados, ou seja, é necessário que se torne explícito durante a formação a articulação entre a Música e a Expressão, o Movimento, neste caso artístico e não só. Verdade me parece que muitos dos nossos professores, na sua prática lectiva, são parcos na explanação do Movimento e amplos na intencionalização musical. Esse, entendo ser um fenómeno resultante de carência na formação, onde os professores não são levados ao desenvolvimento próprio de um conjunto de competências – o Movimento Expressivo, a Desinibição Corporal, a Comunicação Corporal, etc. – que se devem associar à prática dos sons, isto muito mais no 1º Ciclo do Ensino Básico. Não creio e a prática de certa forma o comprova que o professor que não detém certo tipo de competências as possa transmitir.
    No que respeita à conceptualização significativa, primeiro de tudo, prende-se com a questão básica de se começar a atribuir o nome correcto às diferentes disciplinas. Parece-me verdade que, no discurso corrente do professor de Música, tudo é Música, sendo em que Ciclo de Ensino fôr. Este facto reflecte uma carência de conceptualização, embora aparentemente não importante, traduz de certa maneira como o professor induz no conceito Música, a Expressão Musical, a Educação Musical e a Música.
    Penso que esse erro conceptual deverá ser corrigido na formação, em particular a área da Expressão Musical, variadas vezes surgindo no 1º Ciclo como uma simples adaptação da praxis da Educação Musical, não relevando a importância, por exemplo, da Expressão Dramática, que, a meu ver, deve acompanhar a área musical. Só assim a Expressão Musical tem sentido no referido Ciclo, como campo curricular priveligiado do desenvolvimento pessoal, configurada para promover as competências idealizadas no respectivo programa.
    Na minha experiência, durante a formação de professores, constatei que a Expressão Dramática e disciplinas afins foram subvalorizadas tanto pelo plano curricular como pelos próprios formandos. É ainda um traço que me parece cultural, ser o “drama” apenas para os actores, invalidando a potencialidade da Expressão no desenvolvimento pessoal do indivíduo nas mais variadas dimensões. O sujeito rígido que comunica apenas pela fala, sério e impermeável é ainda um ícone da nossa sociedade, ainda que se assuma cientificamente que o corpo é uma fonte de comunicação invariável, na sua globalidade. Mais, o sujeito, sendo tímido ou extrovertido, deverá ser pragmático e objectivo, ignorando-se ou não querendo querer que tais aptências advêm da capacidade criativa e esta do repositório simbólico e da capacidade imaginativa que a pessoa encerra em si.
    Tudo isto defendo enquanto professor e educador, no entanto, compreendo que a Música, essa arte que das artes é talvez a mais perfeita, nos leva a «práticas apaixonadas», conquanto contrapruducentes, na consecução de um programa que se quer articulado, integrado numa dimensão multidisciplinar e curricular, que tem como finalidade o desenvolvimento integral do indivíduo. Continuaremos a promover indivíduos amputados na sua sensibilidade, na sua emotividade, na sua criatividade, os tais sujeitos rudes, que nesta visão metafórica, continuarão de costas viradas para a arte e a tudo de artístico que o mundo lhes proporciona, por incapacidade ou incompreensão nossa, educadores artísticos.
    Agradeço o espaço concedido para esta breve reflexão.


Deixar uma Resposta




O Centro de Investigação em Psicologia da Música e Educação Musical – CIPEM – foi criado, em Setembro de 1998, pela Área de Música do Departamento de Artes e Motricidade Humana da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. É uma estrutura orientada, essencialmente, para a promoção da investigação científica na área da Psicologia da Música e da Educação Musical.

 

Maio 2007
S T Q Q S S D
« Mar   Out »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Blog Stats

  • 14,432 hits